Fomos ao Teatro, ficámos no Palco e fomos simpaticamente recebidos pelo Chef
Arnaldo Azevedo, diga-se, grande Chef.
Claro que nos referimos ao Hotel Teatro no Porto e seu belo e elegante restaurante Palco.
Cenário montado, deixamos o guião e encenação ao cuidado do Chef, e fomos surpreendidos pelos sabores, texturas e detalhes, numa sequência de experiências e pratos que nos deixaram saudades no palato.
1º ACTO - OS MIMOS DO CHEF.
Já devidamente instalados no belo pátio do Palco e subidas as cortinas, fomos brindados, para brindar, por um minhoto espumante Soalheiro Alvarinho, elegante no sabor, refrescante mas profundo.
E os personagens foram entrando: O CARABINERO
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| Carabinero, caviar, arroz tufado, puré de abacate |
Sabores leves e frescos, desfazia-se na boca, destacando-se a frescura do animal, com a acidez do caviar. Equilíbrio de entrada.
O LEITÃO
Entrada tímida em pequena capa de papel, da qual surgiu uma das melhores interpretações da noite, neste caso reinterpretação, da nossa famosa "sandes de leitão"... muito respeito a esta iguaria e honras ao animal.
A LULA
Puré de alho e cebola assados com tinta de choco e choquinho A caramelização da cebola, equilibrada com alho e tinta de choco, acomodavam a pequena sereia, desculpem, Lula com sua coroa tenra......sabores da nossa costa
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A BATATA E A TRUFA
Puré de batata cremoso com trufa negra. Voltamos para terra, onde sentimos os prazeres escondidos da trufa, aqui mais forte no puré do que nos fios desse nobre ingrediente.
FIM DO
1º ACTO
O intervalo foi preenchido com duas saborosas manteigas e uma quenelle de tomate seco, bem acompanhadas por pão fresco e brioche.......
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Selecção de pão branco, semente e brioches / Manteigas de pimenta selvagem e de foigras, tapenade de tomate seco, azeite biológico de Trás os Montes
2ª ACTO
A BEBIDA

O escolhido e recomendado, ligeiramente seco e com alguma barrica, revelou-se uma excelente companhia para o que nos foi surgindo, abrindo à medida que os pratos chegavam.
SERMÃO AOS PEIXES
A VIEIRA
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| Vieira com puré de aipo, cannelloni de sapateira e curgete, algas marinadas, jus de ostra e alma de caviar. |
Confecção primorosa com acompanhamento seguro mas eficaz, bem realçado por alma de caviar.....
Aqui o Chef jogou à defesa, o que também se compreende pois o enredo estava em crescendo!
O LAGOSTIM: VENHAM AS TROMPETAS... E A MORTE!
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| Lagostim com molho de Foie Gras e Trompetas da Morte |
O momento dramático da peça, onde a história se aprofunda e se começa a revelar o seu final.... aqui ficamos presos à trama.....sabor prolongado e forte.....intenso......
O SALMONETE
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| Salmonete, lulas da costa e agrião |
Depois da tempestade, a bonança....... num mar de um delicioso molho de lulas navegou este pequeno animal suculento ..... (resisti a não limpar o prato com os restinhos de pão)
O ROBALO
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| Robalo, enguia fumada e mexilhão, espargo verde e couve Pak choi sobre puré de couve flor e espuma de champanhe |
Eis o Nobre do Mar, em confecção aprimorada e ladeado por súbditos reais, sabores conhecidos e delicados, quando de repente entra em cena um pequeno naco de enguia fumada que elevou o conjunto...... a vitória da plebe que se bateu de frente com o robalo!
3º ACTO - O VEADO
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| Veado, gnocchi de batata, puré de beterraba e cantarelos |
Um dos personagens elevados da peça, que sem grande história, surge sumptuoso, tenro e saboroso, com notas de terra e linhagem italiana..... (aqui não fomos surpreendidos... os sabores correspondiam à apresentação)
4ª ACTO - O CORTEJO FINAL
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| Brincadeiras com maçã, tofee e yuzu, várias texturas, gelado de iogurte grego, babás com canela |
Na frente a abrir vieram os sabores frescos e cítricos, num jogo de texturas e surpresas agradáveis
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Chocolate, café e fava tonka,Gelado de fava tonka, bombom de chocolate
E antes do pano cair, e para terminar a história, entram em cena em carruagem de cacau um conjunto de elementos que per si já se destacam, mas em conjunto toma o poder, com essa surpresa de sabor......... a fava Tonka (eu jurava que era amêndoa amarga....mas enganei-me),
E a todos foi servido um Porto de Honra e uns miminhos,
Honras sejam feitas à peça e ao seu autor!
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